10,1-12 – Não cometerás adultério
Enquanto os seguidores têm sede de conhecer um pouco mais sobre a Boa Nova, os fariseus distanciam-se cada vez mais da graça por não verem Jesus como filho de Deus, e sim apenas alguém que põe em risco o sistema excluídor e opressor.
Como sempre o tiro sai pela culatra, os fariseus ao tentarem fazer com que Jesus entre em contradição, na verdade dão a ele a oportunidade de demonstrar a hipocrisia dos governantes, e reforçar a Lei de Deus. Os fariseus que tanto pregão o cumprimento da Lei, estão se deixando conduzir por uma permissão de Moises (diga-se de passagem, forçada), em detrimento da ordem maior que está contida nos vv.6-9. Finalizando Jesus aproveita para alertar a todos os que desta permissão fazem uso: “cuidado para não ferir o sexto Mandamento”. Você lembra qual é?
10,13-16 – Ser como criança
Jesus continua sua catequese insistindo na linha de pensamento de que não devemos barrar o acesso de quem quer que seja ao Reino de Deus (a Igreja pertence a todos que desejam viver sob o Senhorio de Jesus).
Somente a Bíblia Ave-Maria traz no v.15 o acréscimo “Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus ‘com a mentalidade’ de uma criança, nele não entrará." Desta feita direciona o pensamento para um único ponto; para merecer o Reino temos que “ser como crianças”: “puras, verdadeiras, simples, dependentes...”. Já as outras versões abrem espaço para outra afirmação: “para merecermos o Reino temos que acolhê-lo como se acolhe uma criança”, ou seja, com docilidade, amor, zelo...
Marcos é o único evangelista a relatar que Jesus “abraçava e abençoava” (v.16), mas faz sentido já que ele escreveu com a finalidade de responder a pergunta: “Quem é Jesus?”. Assim descreve que Jesus é aquele que acolhe, ama e educa a todos sem distinção.
10,17-31 – A vida eterna tem inicio na vida presente
A observância dos Mandamentos é a principal exigência para quem deseja seguir Jesus, o desapego as coisas materiais e a partilha são a segunda. Se vamos participar do Reino é preciso que a nossa fé e segurança esteja depositada em Deus e não nos bens terrenos. A partilha se faz necessária para que todos tenham vida em abundancia. A ostentação de poder, riqueza e status, não tem lugar em um Reino de igualdade.
Jesus ao destacar que os ricos não entrarão no Reino de Deus referiu-se não só aos ricos em bens, mas também em soberba, orgulho, vaidade, preconceito... Existem varias explicações para a expressão “um camelo passar pelo buraco de uma agulha” (v.25), mas todas deságuam no mesmo logo, Jesus usou de uma figura de linguagem extrema para enfatizar que o poder de Deus é maior que qualquer desejo humano.
A vida eterna tem inicio na vida presente, a escada que leva para o Reino de Deus é construída não com dinheiro, os degraus são sobrepostos com blocos de solidariedade, amizade, lealdade, amor, perdão... Abandonar-se por completo nas mãos de Jesus, abraçando a Boa Nova como projeto único, é o que nos capacita a receber de Deus a vida eterna, lembrando que para sermos o primeiro, temos que colocar todos os outros na nossa frente. O jovem rico queria a vida eterna sim, mas para si, não se importando com os outros.
10,32-45 – Podeis vós beber o cálice que eu vou beber
O primeiro anúncio da Paixão Jesus fez após a linda profissão de fé de Pedro: “Tu és o Cristo” (Mc 8,29), o segundo em Mc 9,31 pouco tempo depois da Transfiguração onde ouviram: “Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o” (Mc 9,7), o terceiro agora, a caminho de Jerusalém. Pelo que podemos perceber não houve muito avanço de lá para cá, mesmo tendo participado de todas estas revelações, eles continuam sem entender a missão de Jesus.
“Jesus ia adiante deles” (v,32). Não devemos interpretar a frase de forma literal, pois Jesus sempre seguia a frente, o destaque foi dado justamente para ressaltar que o Messias tinha consciência do que estava para acontecer, já o mesmo não se podia dizer dos discípulos, pois era visível a insegurança e o medo.
Pelo pedido de Tiago e João continua firme a idéia de um Messias triunfante, e é lógico a visão de recompensa e poder. A mentalidade dos discípulos era a mesma dos governantes da época, conquista e poder. Diante da indagação de Jesus, se eles poderiam beber do cálice e participar do batismo, imediatamente respondem que sim.
Fica a lição para nós, a ambição e o desejo de status cega até os mais sábios. No AT o cálice em algumas ocasiões simbolizava o sofrimento, já o batismo era uma metáfora a paixão de Jesus.
A pedagogia de Jesus continua a mesma, é quase uma lavagem cerebral, “quem quer ser o primeiro, que seja o último”, “quem quer ser o maior que se faça o menor”, “quer agradar a Deus seja um servo humilde”.
10,46-52 – Lance fora sua capa
Os discípulos que caminharam com Jesus durante toda sua missão, não aprenderam o que o cego aprendeu em poucos minutos. Bartimeu, cego e mendigo, foi colocado a “beira do caminho” (v.46), ou seja, a margem da sociedade que excluía e que não dava chance ao indigente. Sabendo ele quem ali passava, põe-se a gritar: "Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!" (v.47), e contrariando a atitude dos discípulos, independente do que lhe poderia acontecer, e indiferente a multidão, continuou a dar testemunho de que Jesus era o “Messias”, pois o titulo “Filho de Davi” representava justamente isso.
Enquanto os discípulos se digladiavam para garantir posição e segurança, Bartimeu ao receber o chamado de Jesus “Lança fora a capa” (v.50), em outras palavras, joga fora a única garantia que ele tinha de abrigo, seu manto era seu teto, e desejou uma única coisa, poder ver. Tão logo recuperou a visão, também viu a gloria de Deus através da libertação trazida por Jesus.
Texto: Ricardo e Marta
Revisão: Padre Rivaldo
Fontes de Pesquisa:
· Atlas Bíblico (Wolfgang Zwicket - Ed. Paulinas)
· Bíblia Tradução Ecumênica (Ed. Loyola)
· Bíblia de Jerusalém (Ed. Paulinas)
· Bíblia Sagrada Pastoral (Ed. Paulus)
· Bíblia Ave-Maria (Ed. Ave-Maria)
· Dicionário Bíblico (Ed. Paulus)
· Dicionário de Símbolos (Ed. Paulus)
· Coleção como ler (Ed. Paulus)

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