terça-feira, 30 de outubro de 2012

Estudo do Evangelho de Marcos - CAPITULO 9

9,1-10 – Transfiguração, prelúdio da Ressurreição.

Novamente Jesus toma consigo um pequeno grupo (Pedro, Tiago e João) que como sempre são as testemunhas oculares de toda a história, a eles é apresentado um prelúdio de sua ressurreição gloriosa. Observe atentamente toda a simbologia descrita por Marcos.

O cenário da Transfiguração não é um monte qualquer, mas uma “alta montanha”. O termo com certeza faz alusão ao que disse o profeta Isaías 2,2-3a “No fim dos tempos acontecerá que o monte da casa do Senhor estará colocado à frente das montanhas, e dominará as colinas. Para aí acorrerão todas as gentes, e os povos virão em multidão: Vinde, dirão eles, subamos à montanha do Senhor...”.

 
“Suas vestes tornaram-se resplandecentes” (v.3). Para os judeus era um sinal da glória celeste, ele é verdadeiramente o Messias. “Apareceram-lhes Elias e Moisés” (v.4). Elias representava os profetas e Moises a Lei, estando eles juntos a Jesus caracterizava que tudo estava sob o seu julgo.

“Mestre, é bom para nós estarmos aqui” (v.5). Pedro diante do jubilo por vislumbrar um momento ímpar, deseja perpetuá-lo, ainda com a visão deturpada acredita que será ali o momento da instalação gloriosa do Reino, não sabia ele que esse momento seria eternizado, mas só a partir da Ascensão do Senhor. A cena descrita no v.7 está intimamente ligada ao Batismo de Jesus.

E finalizando, temos a observação de só revelar o que viram após a ressurreição, e o motivo é obvio, não adiantaria em nada relatar agora já que ninguém iria entender. Vejamos, os próprios discípulos que a tudo presenciaram não conseguiram assimilar; “ressurgir dentre os mortos!”. Os judeus acreditavam na ressurreição, mas daí a aceitar que o Deus Redentor deveria também passar pela morte, ai já era pedir demais. Jesus anunciava uma ressurreição para já, enquanto que todos a aguardavam só no final dos tempos.

9,11-13 – Elias vive nas ações de João

Diante da duvida que pairava sobre os discípulos, Jesus testifica que Elias já retornou na pessoa de João Batista (é bom saber que não estamos falando aqui na abominável reencarnação), a ação, a fé, o entusiasmo, e a unção de Elias, estavam presentes naquele que feio trazer um Batismo de conversão. João veio para reconduzir os corações para Deus e prepará-los para a vinda do Messias.

9,14-29 – Tudo é possível ao que crê

Fique atento ao dialogo: “Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um espírito mudo”. “Roguei a teus discípulos que o expelissem, mas não o puderam”. “Se tu, porém, podes alguma coisa”. “Se podes alguma coisa!... Tudo é possível ao que crê”. “Creio! Vem em socorro à minha falta de fé!”

A principio podemos julgar desrespeitoso e incoerente o “Se tu podes”, mas é altamente compreensivo partindo-se do pressuposto que aquele homem não conhecia Jesus. Certamente levou o filho a sua presença movido pelo desespero de pai diante da doença do filho, e quem sabe, também influenciado pelos comentários dos milagres.

Jesus vê que aquele homem anseia por libertação, não só do filho, mas dele também. O texto não relata, mas é possível pensar que Jesus dirigiu a ele mais que uma frase, certamente mostrou que existe uma cura maior, buscou restituir a esperança a aquele pai cansado e desiludido. É maravilhoso ver a mudança que a Boa Nova traz as pessoas.

O pai que se colocou na presença de Jesus movido pela dor, agora busca se deixar conduzir pelo amor. Note que seguido do “creio”, o pai não pede mais pela saúde do filho, mas sim que fortaleça sua fé. Não fique pensando que o pai se esqueceu do filho, muito pelo contrario, mas devemos lembrar-nos do episodio do paralitico: “Filho, os teus pecados estão perdoados” (Mc 2,5), para ele agora é mais importante a cura da alma.

Mais adiante no finalzinho da narração temos outro dialogo, desta vez dos discípulos com Jesus. “Por que não pudemos nós expeli-lo?” “Esta espécie de demônios não se pode expulsar senão pela oração”. Mateus em seu Evangelho acrescenta também o jejum, ou seja, “oração e jejum” é essa a formula para uma perfeita sintonia com Deus. Infelizmente eles não tinham a sabedoria vinda de São Paulo que nós temos: “Orai sem cessar” (1Ts 5,17). Para fazer frente ao mal é preciso uma vida de oração.

9,30-37 – Quem é o maior?

Enquanto Jesus busca conscientizá-los dos riscos da missão, educá-los em uma fé madura, torná-los um com Deus instruindo-os de que o verdadeiro seguidor é aquele que se doa ao ponto de dar a vida pelo irmão, eles estavam mais preocupados em saber quem era o maior. Os discípulos estavam seguindo na contramão, apesar da convivência com o Messias ainda não tinham entendido que o Reino de Deus se faz não pelo poder ou pelo acumulo de bens, e sim através do serviço, da humildade, da caridade, do acolhimento ao necessitado.

Segundo alguns comentadores, Jesus não apresenta a criança como símbolo de pureza, docilidade e ingenuidade, mas sim representando todas as pessoas que necessitam de atenção e que dependem da nossa mão para poder caminhar.

9,38-50 – Sal da terra.

Ainda hoje permanece a idéia de que “só o meu grupo faz certo”, vemos claramente acontecer dentro das nossas igrejas e comunidades, Jesus esclarece que o projeto de Deus é pela valorização da vida, e todos aqueles que buscam o bem comum, estão agindo em nome de Cristo. Não podemos deixar que nossas ações egoístas afastem do caminho da Boa Nova os pequeninos, as portas da Igreja devem estar abertas a todos independente de serem ou não capacitados. 

O alerta para arrancar pé, mão e olho, diz respeito a tomarmos cuidado com nossas ações, desejos e ambições. O nosso proceder é quem dirá se estamos com Deus, ou contra ele. “Porque todo homem será salgado pelo fogo” (v.49). Segundo os comentadores da TEB o fogo é a imagem da provação, da perseguição ou até do fogo eterno, portanto, é oportuno que se aceite o sacrifício para poder passar pela provação.

Tende sal em vós e vivei em paz uns com os outros” (v.50b) Na palestina usava-se o sal nos fornos como catalisador, acontece que com o passar do tempo ele perdia suas propriedades químicas tornando-se insípido, consequentemente teria que ser jogado fora. Nós seguidores de Cristo e anunciadores da Boa Nova temos que está sempre nos renovando e fortalecendo espiritualmente, para não corrermos o risco de nos tornar insosso.

Texto: Ricardo e Marta
Revisão: Padre Rivaldo

Fontes de Pesquisa:
·         Atlas Bíblico (Wolfgang Zwicket - Ed. Paulinas)
·         Bíblia Tradução Ecumênica (Ed. Loyola)
·         Bíblia de Jerusalém (Ed. Paulinas)
·         Bíblia Sagrada Pastoral (Ed. Paulus)
·         Bíblia Ave-Maria (Ed. Ave-Maria)
·         Dicionário Bíblico (Ed. Paulus)
·         Dicionário de Símbolos (Ed. Paulus)
·         Coleção como ler (Ed. Paulus)

Um comentário:

  1. Estou acompanhando todos os capítulos, estão sendo muito importante, pois tenho dificuldades
    em algumas interpretações. Espero que continuem com os estudos estendendo aos outros Evangelhos. Obrigado

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