quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Estudo do Evangelho de Marcos CAPITULO 6

6,1-6a – Jesus é rejeitado na sua cidade

Sabemos que não era reservado aos sacerdotes e doutores da Lei a interpretação dos textos, qualquer homem adulto poderia expressar sua opinião, mas é notório que o medo de se pronunciar e expor seus pensamentos levava o povo a ser taxado de ignorante.

Diante da iniciativa de Jesus todos no primeiro momento ficam admirados com sua sabedoria e com seus feitos, mas em seguida vem à rejeição, por quê? Será que o projeto de libertação é novamente jogado ao vento, e desta vez por seus conterrâneos, pelo veneno do preconceito e da inveja. “Esse mero carpinteiro”, que conviveu a vida toda conosco, sabemos que “não frequentou escola superior”, “um João ninguém” igual a nós, e “agora quer dá uma de doutor”.

 
A reação de descontentamento de Jesus serve de alerta para muitos nos dias de hoje, que afastam de nossas igrejas ou isolam em um cantinho qualquer, muitos irmãos pelos mesmos motivos que o Messias foi rejeitado.

6,6b-13 – A Missão

Jesus começa a revelar que a missão de levar a Boa Nova é também dever nosso, e nos envia em pares justamente para valorizar o serviço comunitário, a solidariedade de apoio mutuo, e não a autopromoção por parte do missionário.

Instrui para levar só o essencial, sinalizando que a nossa segurança não deve ser colocada no apoio financeiro ou na logística, e sim na providência Divina, devemos ser livres para propagar o Evangelho sem a necessidade de darmos satisfação aos nossos patrocinadores. Não devemos fazer ostentação para não ferir o humilde.

na casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali” (v.10) Mais uma vez é levantada a bandeira do viver em comunidade, o discipulo permanecer em uma residência não se deve ao fato de uma boa acolhida, mas para que o local seja visto como ponto de encontro para a vizinhança.

Interessante que a colocação seguinte de Jesus traz duas mensagens. “Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés...” (v.11) O primeiro alerta é dirigido à comunidade que por vontade própria excluiu-se da graça de Deus. Recordemos: “todo aquele que der testemunho de Mim diante dos homens, também Eu darei testemunho dele diante do meu Pai” (Mt 10,32), ou seja, a rejeição não vem da vontade de Jesus, mas é o próprio ser humano que vira as costas para o projeto de Deus, impossibilitando que o perdão salvador se realize em sua vida.

Desta vez o alerta é dirigido ao discipulo, a todo aquele que resolve tomar a sua cruz e seguir Jesus. No processo de evangelização não podemos guardar magola, rancor, não devemos nos aborrecer com aquele que não comunga da nossa verdade, a docilidade para com o discrente deve ser a marca registrada do Cristão. O v.13 esclarece que a nossa evangelização não deve ficar apenas na teoria, deverá existir também um serviço.

6,14-29 – A fraqueza do homem

Uma pessoa sem Deus, por mais que pense ter, não tem nada. Digo isso baseado na fraqueza avassaladora de Herodes, analise: um rei poderoso, que tinha a seus pés todas as pessoas, possuidor de uma grande riqueza material, e o que notamos pelo relato de Marcos é que ele estava desesperado com medo de um coitado, “João Batista”. “Esse João que mandei decapitar, é ele que ressuscitou” (v.16b), se você observou, ele não estava com medo de Jesus, releia o texto e verá que cita até o profeta Elias, mas o temor concentrava-se na pessoa de João. Volto a dizer: “uma pessoa sem Deus, teme até brisa leve”.

Mas não vamos nos deter só a Herodes, pois aqui podemos ver a desgraça que é uma família desestruturada. Herodíades larga seu marido Herodes Felipe para casar com Herodes Antipas (diga-se de passagem, seu cunhado), alguém entendeu o que foi que fez Herodíades, trocou seis por meia dúzia, se ambos os maridos eram ricos e poderosos, em que ela saiu ganhando.

E aqui chegamos ao ápice da loucura que alguém que se deixa governar pelo demônio pode chegar, envolver a própria filha em uma trama satânica para livra-se do portador da verdade (já deu para notar que a verdade dói e incomoda). Salomé infelizmente não fica de fora dessa roleta composta por loucos e fracos, diante da proposta de poder ter nas mãos a metade de um reino, cede aos caprichos de uma lunática e pede a cabeça do Batista.  

Em suma, viver em situação de pecado nos afasta das graças de Deus. Se viver com as graças já é difícil, imagine sem elas.

6,30-44 – Até onde vai a nossa fé?

O milagre da multiplicação dos pães realmente existiu? É claro que sim, toda a Bíblia é a ação de Deus através dos homens, a presença de Jesus na história é também a presença de Deus, e onde Deus está, também está sua graça.

Devemos entender que a cada ação misericordiosa de Jesus está contido um ensinamento, a missão do Messias não era sair distribuindo peixes, mas sim, ensinar a pescar. E partindo dessa premissa analisemos os passos de Jesus.

Primeiro chega os apóstolos cheios de si relatando tudo que fizeram (dá maneira como chegaram deduzimos que já tinham entendido que Jesus era Deus, e como tal, para ele tudo era possível). Acontece que no momento seguinte jogam toda sua fé pela janela diante da proposta de Jesus: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (v.37). Agora vamos seguir a pedagogia de Jesus? Lembre-se que nós somos os apóstolos de Jesus.

Jesus começa levando os apóstolos a se questionarem: Até onde vai a nossa fé? “...Dai-lhes vós mesmos de comer...” (v.37). Depois os leva a entregar-se a essa fé? “...Quantos pães tendes?...” (v.38). Agora mostra que a fé só é verdadeira quando nos leva a ação. “...acomode-os em grupos sobre a relva verde” (v.39). Ensina também que é através da oração que as graças são alcançadas. “...ergueu os olhos para o céu...” (v.41). E finalizando vem o grande ensinamento, “Todos eles comeram e ficaram saciados” (v.42). Deus não precisa, mas sempre se utiliza de nós para a realização dos milagres. É no amor fraterno, na partilha, na solidariedade e na vida em comunidade que as bênçãos são derramadas. 

6,45-56 – Que fantasma te assusta?

De acordo com o relato de Marcos, os apóstolos não “captaram a mensagem”, ainda não sabem quem é verdadeiramente Jesus, mesmo depois da multiplicação dos pães, não O identificaram com Deus, parece que Ele continua sendo apenas uma pessoa dotada de poderes para realizar grandes prodígios.

Marcos inicia dizendo que Jesus “obrigou” os discípulos a entrarem no barco, agora eu pergunto: eles não queriam ir, pois não desejavam abandonar Jesus, ou estavam cheios de receio em enfrentar os demônios do mar bravio? (recorde 4,35-38).

Sem sombra de duvida podemos afirmar que era a segunda opção, somente uma pessoa que não está em sintonia com a Boa Nova para duvidar dos porquês de Jesus, é necessária uma ausência total de fé para olhar para Jesus e não reconhecê-Lo.

Se você prestou atenção o texto está bem claro, “Vendo-o caminhar sobre o mar, eles julgaram que fosse um fantasma” (v.49). O texto não diz que eles viram um vulto, mas sim, que viram o próprio Jesus. Como participar da implantação do Reino acreditando que Jesus é a Boa Nova, sem antes nos libertarmos das amaras deste mundo. Será que Jesus terá de passar toda a nossa vida afirmando: “sou Eu!”.

Em contrapartida o povo já dava sinais de que reconhecia nele a presença do Messias esperado, e demonstravam sua fé seguindo o exemplo da mulher curada de uma grave hemorragia (Mc 5,28), “...traziam os doentes e suplicavam que os deixasse tocar apenas na franja de sua veste”. (v.56)

Texto: Ricardo e Marta
Revisão: Padre Rivaldo

Fontes de Pesquisa:
·         Atlas Bíblico (Wolfgang Zwicket - Ed. Paulinas)
·         Bíblia Tradução Ecumênica (Ed. Loyola)
·         Bíblia de Jerusalém (Ed. Paulinas)
·         Bíblia Sagrada Pastoral (Ed. Paulus)
·         Bíblia Ave-Maria (Ed. Ave-Maria)
·         Dicionário Bíblico (Ed. Paulus)
·         Dicionário de Símbolos (Ed. Paulus)
·         Coleção como ler (Ed. Paulus)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua opinião é muito importante para nós.