quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Estudo do Evangelho de Marcos - Capitulo 2 - Curso Bíblico

Estudo do Evangelho de Marcos - Capitulo 2

2,1-12 – A cura do paralitico

Jesus adota Cafarnaum como sendo sua cidade (Mt 9,1), e junto de sua comunidade, mesmo sendo considerado impuro pelos sacerdotes, ele gozava de livre passagem e lá tinha condições de anunciar o Reino de Deus, não só com palavras como faziam os sacerdotes, mas com ações de misericórdia.

Sempre que Jesus efetua uma cura ele enfatiza: “Que queres que eu te faça?” ou “A tua fé te salvou”, não sei se deu para perceber, mas neste caso em particular ele se pronuncia primeiro “Filho teus pecados estão perdoados” (v.5), o que levou Jesus a tomar essa atitude? Marcos atesta que o motivo foi por ter visto na ação dos amigos uma grande demonstração de fé.

 
Acredito que Jesus viu algo mais, pois sua preocupação não foi em efetuar uma cura física e sim espiritual, vale lembrar que em todo o Evangelho de Marcos é a única vez que ele fala em perdão dos pecados diante de uma cura.

Segundo o costume da época o perdão dos pecados que é uma ação de Deus, só deveria ser efetuado no Templo através das mãos de um sacerdote e cumprindo todo o rigor da Lei. Será que Jesus vendo a presença dos escribas e sabendo qual seria a reação dos mesmos, não tenha se utilizado da situação para esclarecer de uma vez por todas que ele é o “Filho de Deus” e que toda sua ação é vontade do Pai. 

2,13-17 – Não vim chamar os justos, mas os pecadores

Jesus continua andando na contramão, de uma única vez ele quebra três regras da “Lei da Pureza”. O convite a Mateus um pecador publico feito da mesma forma que ocorreu com Pedro, já esclarece que o Reino de Deus não exclui ninguém. Naquele tempo, fazer uso de um objeto que foi tocado por um impuro, já fazia de você impuro também. Sentar-se a mesa para comer com alguém era sinal de amizade e respeito para com esse alguém.

A atitude e a resposta de Jesus aos fariseus geram conflito e repulsa, como pode uma pessoa que se diz enviado de Deus unir-se aos pecadores. Apesar do mal-estar criado os discípulos entenderam que era necessário destruir a barreira que impedia as pessoas de obter a salvação. Jesus o portador da vida plena não podia pactuar com as leis que oprimiam.

2,18-22 – É preciso uma adesão radical

Os judeus só jejuavam uma vez no ano no “Dia da Expiação”, já os judeus que faziam parte do grupo dos fariseus cumpriam esse ritual três vezes por semana alegando ser um gesto de piedade, mas que piedade seria essa que marginalizava o irmão, que nega a participação no banquete celestial.

O jejum por via de regra estava ligado ao luto, penitencia ou arrependimento, sendo assim seria incoerente essa pratica já que o momento era de festa (a chegada da Boa Nova), como se mortificar na presença de Jesus (o noivo). Mais uma vez vem a afirmação de que para fazer parte do novo tempo não adianta maquiar a aparência (remendo novo), é preciso uma completa transformação uma mudança radical (odres novos).

2,23-28 – Ao homem foi dado o poder de dominar a terra

O sábado era considerado um dia sagrado destinado ao repouso e a oração, até ai tudo bem, acontece que os doutores da Lei transformaram esse dia sagrado em um verdadeiro tormento. Foram tantas as proibições que é mais fácil dizer o que pode fazer, do que relacionar o que não pode.

Algumas das imposições (para não dizer todas) chegavam a ser absurdas e mesquinhas, então vejamos: “apanhar lenha era considerado um pecado grave”, “a preparação de alimentos também”, “bater palmas, dá para acreditar”, “visitar um doente, nem pensar”, para não esticar a conversa basta dizer que existia uma relação de 39 trabalhos que eram proibidos no sábado. Se você acha melhor passar o sábado dormindo para não correr o risco de pecar, desculpe dizer, você acabou de pecar, lembre-se: “o sábado é dia de repouso, mas também de oração”. Violar qualquer Lei do sábado seria a mesma coisa de jogar na sarjeta sua santidade. Como resposta nossa de apoio a atitude de Jesus, basta citar Gn 1,27-30.

Texto: Ricardo e Marta
Revisão: Padre Rivaldo

Fontes de Pesquisa:
·         Atlas Bíblico (Wolfgang Zwicket - Ed. Paulinas)
·         Bíblia Tradução Ecumênica (Ed. Loyola)
·         Bíblia de Jerusalém (Ed. Paulinas)
·         Bíblia Sagrada Pastoral (Ed. Paulus)
·         Bíblia Ave-Maria (Ed. Ave-Maria)
·         Dicionário Bíblico (Ed. Paulus)
·         Dicionário de Símbolos (Ed. Paulus)
·         Coleção como ler (Ed. Paulus)

ESTUDO DO EVANGELHO DE MARCOS

GLOSSÁRIO

·         BOA NOVA: Ver Evangelho.
·         CRISTO: Do grego Khristós (Christos) é uma tradução do hebraico Masiah “Messias” que significa “Ungido”, ou seja, Jesus o Ungido de Deus é o Messias esperado.
·         DAVI: Do hebraico “Dawid” significa “amado”. Filho de Jessé, sucedeu Saul no trono de Israel.
·         DESERTO: Na visão religiosa, o deserto tem uma importância muito grande para o povo judeu, nele aconteceram às maiores provações, mas também as maiores demonstrações da Misericórdia de Deus.  Na Bíblia podemos notar que o deserto é um momento de penitência e conversão, e que também é o momento de encontro com Deus. Foi no deserto que Jesus esteve antes de iniciar seu ministério, Paulo após a conversão também foi para o deserto, e foi nele que Israel teve seu primeiro contato com Deus.
·         DOUTOR DA LEI: Ver escriba.
·         ELIAS: Do hebraico significa “Meu Deus é Iahweh”. Sua missão é narrada nos “Livros dos Reis”.
·         ESCRIBA: Intérprete da Lei, especialista nas escrituras. Na comunidade recebiam o título de “rabi” que significa mestre. Apesar de não se definirem partidários de uma seita na realidade uma grande parte era “fariseu”, e consequentemente hostis a Jesus.
·         EVANGELHO: Palavra grega que significa “Boa Nova” ou “Boa Noticia”. O termo só é usado no NT. A palavra “evangelho” para os romanos significava o nascimento de um herdeiro de César ou a subida ao trono de um César. Fazendo frente a essa boa nova romana, Jesus é apresentado como sendo a verdadeira “Boa Nova”, o Rei dos reis, e que Seu Reino é superior a todos os outros.
·         EXEGESE: Interpretação ou explicação de um texto, particularmente da Bíblia.
·         FARISEUS: Opositores ferrenhos de Jesus, pertenciam a uma seita judaica que ostentavam grande santidade exterior julgando-se superiores aos demais. Mantinham um relacionamento próximo com os “escribas” e desprezavam o povo que ignoravam a Lei.
·         GENTIO: Do latim “gentilis”, que significa membro do povo estrangeiro, pagão, conhecidos como idolatras ou adoradores do demônio.
·         HEBREU: Forma como os estrangeiros se referia ao povo de Israel. No NT era usado para caracterizar um judeu de língua aramaica, não necessariamente da palestina.  
·         ISAÍAS: Do hebraico significa “Deus é salvação”. Filho de Amós viveu em Jerusalém e desempenhou sua missão profética entre 724 a 701 a.C.
·         ISRAEL: Nos evangelhos sinóticos o nome é usa para descrever o “Povo de Deus”. Nos últimos séculos a.C., e nos primeiros d.C., o nome era usado para descrever o povo judeu.
·         JUDEU: Termo político usado para caracterizar um povo, já para a comunidade religiosa usava-se “Israel”.
·         LEPRA: Todo leproso era imediatamente excluído da comunidade, alguém que tivesse contato com um tornar-se-ia uma pessoa impura. A cura da lepra era igual a ressuscitar alguém dos mortos, e só Deus teria esse poder.
·         MESSIAS: Do hebraico Masiah significa “Ungido”, já na tradução grega “Christos = Cristo”.
·         MOISES: Do hebraico significa “Salvo das águas”. Filho de Amram e Jocabed. Libertou o povo de Israel da escravidão no Egito e o conduziu a “Terra prometida – Canaã”.
·         PAGÃO: Membro do povo estrangeiro, o mesmo que “gentio”.
·         SÁBADO: Oriundo do hebreu “shabbat” significa “repousar”. Tanto para os judeus como para os israelitas o sábado era um dia sagrado onde não se podia trabalhar e que a caminhada máxima era de aproximadamente 1 km.
·         SACERDOTE: A origem é incerta, mas já existia no AT, o sumo sacerdote era a pessoa mais importante na comunidade judaica. Dentre as funções do sacerdote estavam, instruir o povo na Lei e oferecer os sacrifícios.
·         SADUCEUS: Um grupo dentro do judaísmo formado pela aristocracia sacerdotal, negavam a ressurreição e a existência de anjos. Rejeitavam os ensinamentos dos fariseus aceitando apenas a Torá.
·         SINÉDRIO: Conselho supremo dos judeus, no NT era composto pelos escribas, anciãos e sumos sacerdotes, 71 membros ao todo, tendo como presidente o sumo sacerdote em exercício. A jurisdição do Sinédrio na época de Jesus limitava-se a Judéia.
·         TEMPLO: Conhecido como a casa de Deus. O acesso era reservado aos sacerdotes. As orações e sacrifícios realizavam-se no pátio, assim também os peregrinos eram recebidos fora do Templo. 
 

2 comentários:

  1. Adorei receber esse link no meu face..estava com propósito de lê algum livro da Bíblia esse mês, já que é o mês da Bíblia e vou aproveitar esse estudo e lê o Evangelho de Marcos.
    Muito obrigada. Que Deus abençoe vocês.

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  2. O curso está ótimo. Gostei muito. Obrigado.

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