segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Liturgia Diária Comentada 07/12/2014 Domingo 2ª Semana do Advento

Liturgia Diária Comentada 07/12/2014 Domingo
2ª Semana do Advento - 2ª Semana do Saltério
Prefácio do Advento I - Ofício do dia
Cor: Roxo - Ano Litúrgico “B” - São Marcos

Antífona: Isaías 30,19.30 - Povo de Sião, o Senhor vem para salvar as nações! E, na alegria do vosso coração, soará majestosa a sua voz.

Oração do Dia: Ó Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia, nós vos pedimos que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do vosso Filho, mas, instruídos pela vossa sabedoria, participemos da plenitude de sua vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

LEITURAS: 

Primeira Leitura: Livro do Profeta Isaías 40,1-5.9-11
“Consolai o meu povo, consolai-o! - diz o vosso Deus -. Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida; ela recebeu das mãos do Senhor o dobro por todos os seus pecados”.

Grita uma voz: “Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus. Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: a glória do Senhor então se manifestará, e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou.

Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa-nova a Sião; levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa-nova a Jerusalém, ergue a voz, não temas; dize às cidades de Judá: ‘Eis o vosso Deus, eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória. Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega--os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães’. - Palavra do Senhor.

Comentário (Celso Loraschi, Vida Pastoral nº 281, Paulus): Esse texto corresponde ao início da profecia de Isaías Segundo (Is 40-55). É um movimento de animação da esperança, suscitado por Deus, no meio do povo exilado na Babilônia, ao redor do ano 550 a.C. Com entusiasmo poético, o profeta anuncia novo êxodo: o povo de Israel será libertado e reintroduzido à terra que Deus concedera aos antepassados.  Assim como o clamor do povo escravizado no Egito chegou aos ouvidos do Senhor, também o sofrimento do povo exilado é conhecido por Deus. O profeta avalia-o como um sofrimento expiatório. Deus acolhe e apaga toda a culpa. Na sua bondade, perdoa-lhes todos os pecados e os livra de todo mal.

Assim como no primeiro êxodo Deus havia libertado os escravos das mãos dos opressores egípcios e os conduzido à terra prometida, também agora ele os livrará da opressão da Babilônia e os conduzirá à sua pátria. Assim como no primeiro êxodo o deserto constituiu caminho de libertação para o povo, sendo guiado pelo próprio Deus, também agora serão conduzidos pela mesma mão divina. Toda barreira será vencida e toda dificuldade transposta. No horizonte: um tempo de bênçãos.

O Senhor vem ao encontro do seu povo como o pastor em busca de suas ovelhas. Ele as reúne, tomando no colo as que necessitam ser carregadas. Deus é o resgatador da vida ameaçada e o cuidador das pessoas enfraquecidas e indefesas. Nisto consiste a sua glória: a vida do povo.

Teologicamente, esse segundo êxodo aponta para um horizonte ilimitado, a libertação em plenitude. Ela acontecerá com a vinda de Jesus Cristo, o Emanuel – “Deus conosco”. Como em terceiro e definitivo êxodo, ele nos põe em marcha, na certeza não apenas das libertações históricas, mas da salvação eterna. O Advento é tempo de vencer as resistências e pôr-se em caminhada, celebrando a presença salvadora de Deus.

Salmo: 84,9ab-10.11-12.13-14 (R.8) Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!
Quero ouvir o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar; a paz para o seu povo e seus amigos, para os que voltam ao Senhor seu coração. Está perto a salvação dos que o temem, e a glória habitará em nossa terra.

A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus.

O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas; a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus.

Segunda Leitura: Segunda Carta de São Pedro 3,8-14
Uma coisa vós não podeis desconhecer, caríssimos: para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. O Senhor não tarda a cumprir sua promessa, como pensam alguns, achando que demora. Ele está usando de paciência para convosco. Pois não deseja que alguém se perca. Ao contrário, quer que todos venham a converter-se.

O dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus acabarão com barulho espantoso; os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão, e a terra será consumida com tudo o que nela se fez. Se desse modo tudo se vai desintegrar, qual não deve ser o vosso empenho numa vida santa e piedosa, enquanto esperais com anseio a vinda do Dia de Deus, quando os céus em chama se vão derreter, e os elementos, consumidos pelo fogo, se fundirão?

O que nós esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça. Caríssimos, vivendo nessa esperança, esforçai-vos para que ele vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz. - Palavra do Senhor.

Comentário (Celso Loraschi, Vida Pastoral nº 281, Paulus): A segunda carta de Pedro pode ser considerada um “testamento”. Atribuída ao apóstolo Pedro, oferece conselhos às comunidades cristãs espalhadas pelo império romano no início do segundo século, orientando-as para viverem na fidelidade à tradição apostólica. Diversas situações estão desencorajando os cristãos a permanecer na fé que receberam das primeiras testemunhas da vida e da proposta de Jesus.

Uma dessas situações diz respeito à fé na segunda vinda de Jesus. A expectativa da iminência da sua volta já não é tão grande. Um grupo de pregadores trata da questão com zombaria, dizendo: “Não deu em nada a promessa de sua vinda... Tudo continua como desde o princípio da criação” (3,4). O texto deste domingo rebate as ideias desses falsos pregadores. Argumenta que não é uma questão a ser medida pela lógica humana. Os cálculos humanos não conseguem penetrar os desígnios divinos. Seus pensamentos e seus caminhos não são os nossos (cf. Is 55,88-9). A atitude a ser tomada é de nos abandonar, com toda a confiança, ao plano salvador de Deus.

O texto reafirma a volta de Jesus numa nova dimensão de tempo: “Para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia”. O tempo aqui é entendido em seu sentido cairológico. Esse tempo cronológico, tão fugaz, pode se transformar em cairológico, propício para acolher a salvação que Deus nos oferece gratuitamente. O tempo do relógio é a oportunidade que Deus nos dá para entrarmos na dinâmica do “tempo eterno”. Deus usa de muita bondade e paciência para conosco “porque não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se”. A primeira carta a Timóteo (2,4) completa: “Ele quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. O nosso empenho cotidiano, portanto, não é fantasiar sobre quando ou como será o fim do mundo e a volta de Jesus, mas viver na santidade e na justiça, contribuindo para que já neste mundo seja concretizada a sua proposta de vida em abundância, conforme anunciada no evangelho.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 1,1-8
Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no Livro do profeta Isaías:

“Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’”

Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. Toda a região da Judéia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão.

João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo. E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo” - Palavra da Salvação.

Comentário (Ricardo Feitosa/Católicos com Jesus):

Marcos apresenta Jesus não apenas como portador da Boa Noticia de Deus a humanidade, mas sendo Ele a própria “Boa Noticia”. Desde o primeiro instante o autor sagrado torna visível que Jesus “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14,6), veio plantar a semente do Reino, e nós seus seguidores, através de Sua Palavra transformada em “ação”, é que iremos fazer com que o mundo caminhe segundo a vontade de Deus.

Usando a palavra “inicio” ao começar seu relato, Marcos está na verdade nos preparando para desde já assumirmos a missão de continuadores da Boa Nova. Jesus é o Caminho usado por Deus para apresentar o Seu Reino a todos os povos, “nós” somos responsáveis para levar a Verdade a todos às criaturas, para que uma vez convertidos possamos contemplar o Pai na Vida Eterna.

Marcos apresenta João através da profecia de Isaias: “uma voz clama no deserto” (Is 40,3). Era de se esperar que o anúncio do Messias devesse ser dado na cidade, ou no templo que era o centro religioso, político e econômico da época, mas ao contrario João vem no deserto, ou seja, fora do glamour, a margem da sociedade, sem necessitar do apoio ou aprovação do poder dominante, trazendo consigo um alerta: “endireitai as suas veredas” (Is 40,3), afirmando que o Reino do Messias será um tempo de igualdade onde não prevalecerão o favoritismo e a injustiça.

João oferecia ao povo um Batismo de conversão através do arrependimento e confissão pública dos pecados, é bem verdade que o intuito era preparar os corações para a chegada do Messias e alertar o povo que o encontro com Deus se dá de maneira simples, diferente dos rituais e imposições dos sacerdotes já que na época o templo era considerado o único lugar de encontro com Deus.

Marcos relata que João “vestia-se de pêlo de camelo e um cinto de couro em volta dos rins”, estando ele no deserto a anunciar a chegada do Messias, traçava-se assim um paralelo entre João e Elias. É evidente que o autor sagrado mesmo sem afirmar categoricamente como fez o próprio Jesus em Mc 9,13 deixa claro ser João Batista o Elias anunciado.

INTENÇÕES PARA O MÊS DE DEZEMBRO:

Geral – Paz e Esperança: Para que o nascimento do Redentor traga paz e esperança a todos os homens de boa vontade.

Missionária – Os pais de família: Para que os pais sejam autênticos evangelizadores, transmitindo aos filhos o dom precioso da fé.

TEMPO LITÚRGICO:

Tempo do Advento: O Advento é um tempo de preparação com dupla finalidade: 1 - Recordar a primeira vinda de Jesus trazendo a salvação para a humanidade, por isso Advento é tempo de alegria. 2 - Anunciar a segunda vinda gloriosa de Jesus, por isso, Advento é também tempo de expectativa, é tempo de redobrarmos a oração, de exercitarmos a nossa fé para não nos desviarmos do caminho de Deus.

Advento é tempo de conversão, devemos nos fazer pequenos e pobres, para podermos reconhecer Jesus como único Senhor e devemos nos esvaziar de tudo que nos afasta de Deus para poder nos encher com sua misericórdia.

O Tempo do Advento começa nas primeiras Vésperas do domingo que sucede ao dia 30 de novembro - ou o mais próximo desta data - e termina antes das primeiras Vésperas do Natal. Devido a variação na data de início do Tempo do Advento a duração do mesmo pode ser de 3 ou 4 semanas. O período de 17 a 24 de dezembro estabelece uma maior preparação para o Natal.

Cor Litúrgica: ROXO - Simboliza a preparação, penitência ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.

Fonte: CNBB / Missal Cotidiano

CATÓLICOS COM JESUS: GRAÇA E PAZ

Se desejar receber nossas atualizações de uma forma rápida e segura, por favor, faça sua assinatura, é grátis. Acesse nossa pagina: www.catolicoscomjesus.com e cadastre seu e-mail para recebimento automático, obrigado.

Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia  

Crendo e ensinando o que crê e ensina a Santa Igreja Católica

3 comentários:

  1. Show, boa explicação. Parabéns! Mas, a liturgia atualmente, aboliu o roxo do Advento, adotando o tom rosa, já que é um tempo "menos penitencial" que a quaresma. O Advento é um tempo de esperança, com uma alegria contida. Mas, gostei da explanação! Deus abençoe. Marcelus Khéde

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amado (a) graça e paz!

      Apesar do “roxo” no Advento não ter um peso de penitência como na Quaresma, mas sim de recolhimento, gostaria de esclarecer que não ouve mudança no “Missal”. O roxo continua e o “rosa” é usado no terceiro domingo do Advento “Domingo Gaudete” e no quarto da Quaresma “Domingo Laetare”.

      Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
      Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
      www.catolicoscomjesus.com – catolicoscomjesus@gmail.com
      Crendo e ensinando o que crê e ensina a Santa Igreja Católica

      Excluir
  2. Gosto de acompanhar as leituras comentadas para também saber comentar nas celebrações que eu presido .
    É muito importante pra mim estas leituras muito obrigada. Abraços e paz.

    ResponderExcluir

Sua opinião é muito importante para nós.