“Tu
estás acima dos querubins, tu que transformaste a miserável condição do mundo
quando te fizeste como nós” (Santo Agostinho)
Amados irmãos,
Ao final do Advento, encontramo-nos para as tradicionais
saudações. Dentro de alguns dias teremos a alegria de celebrar o Natal do
Senhor; o evento de Deus que se faz homem para salvar os homens; a manifestação
do amor de Deus que não se limita a dar-nos algo ou a enviar-nos uma mensagem
ou alguns mensageiros, doa-se-nos a si mesmo; o mistério de Deus que toma sobre
si a nossa condição humana e os nossos pecados para revelar-nos a sua Vida
divina, a sua graça imensa e o seu perdão gratuito. É o encontro com Deus que
nasce na pobreza da gruta de Belém para ensinar-nos a potência da humildade. Na
realidade, o Natal é também a festa da luz que não é acolhida pela gente
“eleita”, mas pela gente pobre e simples que esperava a salvação do Senhor.
Em primeiro lugar, gostaria de desejar a todos vós –
cooperadores, irmãos e irmãs, Representantes pontifícios disseminados pelo
mundo – e a todos os vossos entes queridos um santo Natal e um feliz Ano Novo.
Desejo agradecer-vos cordialmente, pelo vosso compromisso quotidiano ao serviço
da Santa Sé, da Igreja Católica, das Igrejas particulares e do Sucessor de
Pedro.
Como somos pessoas e não números ou somente denominações,
lembro de maneira especial os que, durante este ano, terminaram o seu serviço
por terem chegado ao limite de idade ou por terem assumido outras funções ou
ainda porque foram chamados à Casa do Pai. Também a todos eles e aos seus
familiares dirijo o meu pensamento e gratidão.
Desejo juntamente convosco erguer ao Senhor vivo e sentido
agradecimento pelo ano que está a nos deixar, pelos acontecimentos vividos e
por todo o bem que Ele quis generosamente realizar mediante o serviço da Santa
Sé, pedindo-lhe humildemente perdão pelas faltas cometidas “por pensamentos,
palavras, obras e omissões”.
E partindo precisamente deste pedido de perdão, desejaria
que este nosso encontro e as reflexões que partilharei convosco se tornassem,
para todos nós, apoio e estímulo a um verdadeiro exame de consciência a fim de
preparar o nosso coração ao Santo Natal.
Pensando neste nosso encontro veio-me à mente a imagem da
Igreja como Corpo místico de Jesus Cristo. É uma expressão que, como explicou o
Papa Pio XII “brota e como que germina do que é frequentemente exposto na
Sagrada Escritura e nos Santos Padres”. A este respeito, São Paulo escreveu:
“Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros e todos os membros do
corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo” (1 Cor 12,12).
Neste sentido, o Concílio Vaticano II lembra-nos que “na
edificação do Corpo de Cristo há diversidade de membros e de funções. Um só é o
Espírito que, para utilidade da Igreja, distribui os seus vários dons segundo
as suas riquezas e as necessidades dos ministérios (cf. 1 Cor 12,1-11)”. Por
isto “Cristo e a Igreja formam o «Cristo total» - Christus totus -. A Igreja é
una com Cristo».
É belo pensar na Cúria Romana como sendo um pequeno modelo
da Igreja, ou seja, um “Corpo” que procura séria e quotidianamente ser mais
vivo, mais sadio, mais harmonioso e mais unido em si mesmo e com Cristo.
Na realidade, a Cúria Romana é um corpo complexo, composto
de muitos Dicastérios, Conselhos, Departamentos, Tribunais, Comissões e de
numerosos elementos que não têm todos a mesma tarefa, mas são coordenados para
um funcionamento eficaz, edificante, disciplinado e exemplar, não obstante as
diversidades culturais, linguísticas e nacionais dos seus membros.
Em todo o caso, sendo a Cúria um corpo dinâmico, ela não
pode viver sem alimentar-se e sem cuidar de si. De facto, a Cúria – como a
Igreja – não pode viver sem ter uma ralação vital, pessoal, autêntica e sólida
com Cristo. Um membro da Cúria que não se alimenta quotidianamente com aquele
Alimento tornar-se-á um burocrata (um formalista, um funcionalista, um mero
empregado): um ramo que seca e pouco a pouco morre e é lançado fora. A oração
diária, a participação assídua nos Sacramentos, de modo especial, da Eucaristia
e da reconciliação, o contato quotidiano com a palavra de Deus e a
espiritualidade traduzida em caridade vivida são o alimento vital para cada um
de nós. Que todos nós tenhamos bem claro que sem Ele nada poderemos fazer (cf
Jo 15,8).
Consequentemente, a relação viva com Deus alimenta e
fortalece também a comunhão com os outros, ou seja, quanto mais estivermos
intimamente unidos a Deus tanto mais estaremos unidos entre nós porque o
Espírito de Deus une e o espírito do maligno divide.
A Cúria está chamada a melhorar-se, a melhorar-se sempre e a
crescer em comunhão, santidade e sabedoria a fim de realizar plenamente a sua
missão. No entanto, ela, como todo corpo, como todo corpo humano, está exposta
também às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade. E aqui gostaria de
mencionar algumas destas prováveis doenças, doenças curiais. São doenças mais
costumeiras na nossa vida de Cúria. São doenças e tentações que enfraquecem o
nosso serviço ao Senhor. Penso que nos ajudará o “catálogo” das doenças – nas
pegadas dos Padres do deserto, que faziam aqueles catálogos – dos quais falamos
hoje: ajudar-nos-á na nossa preparação ao Sacramento da Reconciliação, que será
um passo importante de todos nós em preparação do Natal.
1.
A doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até
mesmo “indispensável” pondo de lado os controles necessários e habituais. Uma
Cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza, que não procura melhorar é
um corpo enfermo. Uma visita ordinária aos cemitérios poderia ajudar-nos a ver
os nomes de tantas pessoas, algumas das quais pensassem talvez que eram
imortais, imunes e indispensáveis! É a doença do rico insensato do Evangelho
que pensava viver eternamente (cf Lc 12,13-21) e também daqueles que se
transformam em senhores e se sentem superiores a todos e não ao serviço de
todos. Esta doença deriva muitas vezes da patologia do poder, do “complexo dos
Eleitos”, do narcisismo que fixa apaixonadamente a sua imagem e não vê a imagem
de Deus impressa na face dos outros, principalmente dos mais fracos e
necessitados. O antídoto para esta epidemia é a graça de nos sentirmos
pecadores e de dizer com todo o coração «Somos servos inúteis. Fizemos o que
devíamos fazer» (Lc 17,10).
2.
Outra doença: a doença do “martalismo” (que vem
de Marta), da excessiva operosidade: ou seja, daqueles que mergulham no
trabalho, descuidando, inevitavelmente, “a melhor parte”: sentar-se aos pés de
Jesus (cf Lc 10,38-42). Por isto Jesus chamou os seus discípulos a “descansar
um pouco’” (cf Mc 6,31) porque descuidar do descanso necessário leva ao
estresse e à agitação. O tempo do descanso, para quem levou a termo a sua
missão, é necessário, obrigatório e deve ser lavado a sério: no passar um pouco
de tempo com os familiares e no respeitar as férias como momentos de recarga
espiritual e física; é necessário aprender o que ensina Coelet que «para tudo
há um tempo» (3,1-15).
3.
Há ainda a doença do “empedernimento” mental e
espiritual, ou seja, daqueles que possuem um coração de pedra e são de “dura
cerviz” (At 7,51-60); daqueles que, com o passar do tempo, perdem a serenidade
interior, a vivacidade a audácia e escondem-se atrás das folhas de papel,
tornando-se “máquinas de práticas” e não “homens de Deus” (cf Hb 3,12). É
perigoso perder a sensibilidade humana necessária que nos faz chorar com os que
choram e alegrar-se com os que se alegram! É a doença dos que perdem “os
sentimentos de Jesus ” (cf Fl 2,5-11) porque o seu coração, com o passar do
tempo, endurece e torna-se incapaz de amar incondicionalmente ao Pai e o próximo
(cf Mt 22,34-40). Ser cristão, com efeito, significa ter os mesmos sentimentos
de Jesus Cristo» (Fl 2,5), sentimentos de humildade e de doação, de desapego e
de generosidade.
4.
A doença da planificação excessiva e do
funcionalismo. Quando o apóstolo planifica tudo minuciosamente e pensa que,
fazendo uma perfeita planificação, as coisas efetivamente progridem,
tornando-se, assim, um contabilista ou
um comercialista. Preparar tudo bem é necessário, mas sem jamais cair na
tentação de querer encerrar e pilotar a liberdade do Espírito Santo, que é
sempre maior, mais generosa do que toda a planificação humana (cf Jo 3,8).
Cai-se nesta doença porque «é sempre mais fácil e cómodo adaptar-se às próprias
posições estáticas e imutadas. Na realidade, a Igreja mostra-se fiel ao
Espírito Santo na medida em que não tem a pretensão de regulamentá-lo e de
domesticá-lo… - domesticar o Espírito Santo! - …Ele é frescor, fantasia,
novidade».
5.
A doença da má coordenação. Quando os membros
perdem a comunhão entre si e o corpo perde a sua funcionalidade harmoniosa e a
sua temperança, tornando-se uma orquestra que produz barulho, porque os seus
membros não cooperam e não vivem o espírito de comunhão e de equipe. Quando o
pé diz ao braço: “não preciso de ti”, ou a mão à cabeça: “quem manda sou eu”,
causando, assim, mal-estar ou escândalo.
6.
Há também a doença do “alzheimer espiritual”: ou
seja, o esquecimento da “história da salvação”, da história pessoal com o
Senhor, do «primeiro amor» (Ap 2,4). Trata-se de uma perda progressiva das
faculdades espirituais que num intervalo mais ou menos longo de tempo causa
graves deficiências à pessoa, tornando-a incapaz de exercer algumas atividades
autónomas, vivendo num estado de absoluta dependência das próprias visões,
tantas vezes imaginárias. É o que vemos naqueles que perderam a memória do seu
encontro com o Senhor; naqueles que não têm o sentido deuteronómico da vida;
naqueles que dependem completamente do seu presente, das suas paixões,
caprichos e manias; naqueles que constroem em torno de si barreiras e hábitos,
tornando-se, sempre mais escravos dos ídolos que esculpiram com as suas
próprias mãos.
7.
A doença da rivalidade e da vanglória. Quando a
aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra se tornam o objetivo
primordial da vida, esquecendo as palavras de São Paulo: «Nada façais por
espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar
os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus
próprios interesses , e sim os dos outros» (Fl 2,1-4). É a doença que nos leva
a ser homens e mulheres falsos, e a vivermos um falso “misticismo” e um falso
“quietismo”. O mesmo São Paulo os define «inimigos da Cruz de Cristo» porque se
envaidecem da própria ignomínia e só têm prazer no que é terreno» (Fl 3,19).
8.
A doença da esquizofrenia existencial. É a
doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e
do vazio espiritual progressivo que formaturas ou títulos académicos não podem
preencher. Uma doença que atinge frequentemente aquele que, abandonando o
serviço pastoral, se limitam aos afazeres burocráticos, perdendo, assim, o
contato com a realidade, com as pessoas concretas. Criam, assim, um seu mundo
paralelo, onde colocam à parte tudo o que ensinam severamente aos outros e
começam a viver uma vida oculta e muitas vezes dissoluta. A conversão é por
demais urgente e indispensável para esta gravíssima doença (cf Lc 15,11-32).
9.
A doença das bisbilhotices, das murmurações e do
mexerico. Já falei muitas vezes desta doença, mas nunca é suficiente. É uma
doença grave, que começa simplesmente, quem sabe, para trocar duas palavras e
se apodera da pessoa, transformando-a em “semeadora de cizânia” (como satanás),
e em tantos casos “homicida a sangue frio” da fama dos seus colegas e
confrades. É a doença das pessoas cobardes que, não tendo a coragem de falar
diretamente, falam pelas costas. São Paulo nos adverte: «Fazei todas as coisas
sem murmurações nem críticas a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes» (Fl
2,14-18). Irmãos, guardemo-nos do terrorismo das maledicências!
10. A
doença de divinizar os chefes: é a dos que cortejam os Superiores, esperando
obter a benevolência deles. São vítimas do carreirismo e do oportunismo,
honrando as pessoas e não a Deus (cf Mt 23,8-12). São pessoas que vivem o serviço,
pensando exclusivamente no que devem obter e não no que devem dar. Pessoas
mesquinhas, infelizes e inspiradas só pelo seu próprio egoísmo (cf Gal
5,16-25). Esta doença poderia atingir também os Superiores, quando cortejam
alguns seus colaboradores para obter a sua submissão, lealdade e dependência
psicológica, mas o resultado final é uma verdadeira cumplicidade.
11. A
doença da indiferença para com os outros. Quando alguém pensa somente em si
mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando o mais
especializado não coloca o seu conhecimento ao serviço dos colegas menos
especialistas. Quando se chega ao conhecimento de algo e o esconde para si, ao
invés de partilhar positivamente com os outros. Quando, por ciúme ou por
astúcia, se sente alegria ao ver o outro cair, ao invés de erguê-lo e
encorajá-lo.
12. A
doença da cara fúnebre. Quer dizer, das pessoas grosseiras e sisudas que pensam
que, para ser sérias, é necessário assumir as feições de melancolia, de
severidade e tratar os outros – principalmente os que consideram inferiores –
com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o
pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e de insegurança. O
apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa amável, serena e alegre que
transmite alegria por toda parte onde quer que se encontre. Um coração repleto
de Deus é um coração feliz que irradia e contagia de alegria todos os que estão
à sua volta: é o que se vê imediatamente! Não percamos, portanto, aquele
espírito jovial, cheio de humor, e até autoirônico, que nos torna pessoas
amáveis, mesmo nas situações difíceis. Quanto bem nos faz uma boa dose de sadio
humorismo! Far-nos-á muito bem recitar muitas vezes a oração de São Tomás Moro:
rezo-a todos os dias; me faz bem.
13. A
doença de acumular: quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial no
seu coração, acumulando bens materiais, não por necessidade, mas só para
sentir-se seguro. Na realidade, nada de material poderemos levar conosco,
porque “a mortalha não tem bolsos” e todos os nossos tesouros terrenos – mesmo
que sejam presentes – jamais poderão preencher aquele vazio; pelo contrário,
torná-lo-ão cada vez mais exigente e mais profundo. A estas pessoas o Senhor
repete: «Dizes: sou rico, faço bons negócios, de nada necessito – e não sabes
que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu ... Reanima, pois, o teu zelo e
arrepende-te» (Ap 3,17-19). A acumulação só pesa e freia inexoravelmente o
caminho! E penso numa anedota: um tempo, os jesuítas espanhóis descreviam que a
Companhia de Jesus era como a “cavalaria leve da Igreja”. Lembro-me da mudança
de um jovem jesuíta que, enquanto carregava num caminhão os seus muitos bens:
bagagens, livros, objetos e presentes, ouvi um velho jesuíta, que estava a
observá-lo, dizer com um sorriso sábio: e esta seria a “cavalaria leve da
Igreja?”. As nossas mudanças são um sinal desta doença.
14. A
doença dos círculos fechados onde a pertença ao grupinho se torna mais forte do
que a pertença ao Corpo e, em algumas
situações, ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre por boas
intenções, mas com o passar do tempo, escraviza os membros, tornando-se um
câncer que ameaça a harmonia do Corpo e causa tanto mal – escândalos –
especialmente aos nossos irmãos menores. A autodestruição ou o “tiro amigo” dos
camaradas é o perigo mais sorrateiro. É o mal que atinge a partir de dentro; e,
como diz Cristo, «todo o reino dividido contra si mesmo será destruído» (Lc
11,17).
15. E
a última: a doença do proveito mundano, dos exibicionismos, quando o apóstolo
transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter
dividendos humanos ou mais poder; é a doença das pessoas que procuram
insaciavelmente multiplicar poderes e, com esta finalidade, são capazes de
caluniar, de difamar e de desacreditar os outros, até mesmo nos jornais e nas
revistas. Naturalmente para se exibirem e se demonstrarem mais capazes do que
os outros. Também esta doença faz muito mal ao Corpo porque leva as pessoas a
justificar o uso de todo o meio, contanto que atinja o seu objetivo, muitas
vezes em nome da justiça e da transparência! E vem-me aqui à mente a lembrança
de um sacerdote que chamava os jornalistas para lhes contar – e inventar –
coisas privadas e reservadas dos seus confrades e paroquianos. Para ele a única
coisa importante era ver-se nas primeiras páginas, porque assim se sentia
“potente e convincente”, causando tanto mal aos outros e à Igreja. Pobrezinho!
Irmãos, estas doenças e tais tentações são naturalmente um
perigo para todo cristão e para toda a Cúria, Comunidade, Congregação,
Paróquia, Movimento eclesial e podem atingir quer em nível individual quer
comunitário.
É necessário esclarecer que só o Espírito Santo - a alma do
Corpo Místico de Cristo, como afirma o Credo Niceno-Constantinopolitano:
«Creio... no Espírito Santo, Senhor e que dá vida» - pode curar todas as
enfermidades. É o Espírito Santo que sustenta todo o esforço sincero de
purificação e toda boa vontade de conversão. É Ele que nos faz compreender que
todo o membro participa da santificação do Corpo ou do seu enfraquecimento. É
Ele o promotor da harmonia: “Ipse harmonia est”, diz São Basílio. Santo
Agostinho diz-nos: «Enquanto uma parte aderir ao corpo, a sua cura não é
desesperada; mas o que foi cortado não pode nem curar-se nem sarar».
O restabelecimento é também fruto da consciência da doença e
da decisão pessoal e comunitária de tratar-se, suportando pacientemente e com
perseverança a terapia.
Somos chamados, portanto – neste tempo de Natal e por todo o
tempo do nosso serviço e da nossa existência - a viver «pela prática sincera da
caridade, crescendo em todos os sentidos, naquele que é a Cabeça, Cristo. É por
Ele que todo o Corpo – coordenado e unido por conexões que estão ao seu dispor,
trabalhando cada um conforme a atividade que lhe é própria – efetua esse
crescimento , visando à sua plena edificação na caridade» (Ef 4,15-16).
Amados irmãos!
Certa vez li que os sacerdotes são como aviões: só fazem
notícia quando caem, mas há tantos que voam. Muitos criticam e poucos rezam por
eles. É uma frase muito simpática, mas também muito verdadeira, porque delineia
a importância e a delicadeza do nosso serviço sacerdotal e quanto mal poderia
causar um só sacerdote que “cai”, a todo o Corpo da Igreja.
Portanto, para não cair nestes dias em que nos preparamos à
Confissão, peçamos à Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, que cure as
feridas do pecado que cada um de nós tem no seu coração e que ampare a Igreja e
a Cúria a fim de que sejam sadias e saneadoras; santas e santificadoras para a
glória do seu Filho e para a nossa salvação e do mundo inteiro. Peçamos a Ela
que nos faça amar a Igreja como a amou Cristo, seu Filho e nosso Senhor, e que
tenhamos a coragem de nos reconhecermos pecadores e necessitados da sua
misericórdia e que não tenhamos medo de abandonar a nossa mão entre as suas
mãos maternais.
Os melhores votos de um santo Natal a todos vós, às vossas
famílias e aos vossos colaboradores. E, por favor, não vos esqueçais de rezar
por mim! Obrigado de coração!
Fonte: Rádio Vaticano
Discurso do Papa Francisco à
Cúria Romana – texto integral
pt.radiovaticana.va/news/2014/12/23/discurso_do_papa_francisco_%C3%A0_c%C3%BAria_romana_%E2%80%93_texto_integral/1115846
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