Liturgia Diária Comentada 14/12/2014 Domingo
3ª Semana do Advento - 3ª Semana do Saltério
Prefácio do Advento I - Ofício do dia
Cor: Roxo - Ano Litúrgico “B” - São
Marcos
Antífona:
Fl
4,4-5 - Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo, alegrai-vos!
O Senhor está perto.
Oração do Dia: Ó Deus de bondade, que vedes o vosso povo esperando fervoroso o
natal do Senhor, daí chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las sempre com
intenso júbilo na solene liturgia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,
na unidade do Espírito Santo. Amém.
LEITURAS:
Primeira
Leitura: Livro do Profeta Isaías 61,1-2a.10-11
O espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me
ungiu; enviou-me para dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma,
pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para
proclamar o tempo da graça do Senhor.
Exulto de alegria no Senhor e minh'alma regozija-se em meu
Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da
justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa, ou uma noiva com suas joias. Assim
como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o
Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações. -
Palavra do Senhor.
Comentário (Celso Loraschi,
Vida Pastoral nº 281, Paulus): O movimento profético de Isaías Terceiro (Is 56-66) emergiu no período
do pós-exílio (ao redor do ano 500 d.C.). A situação do povo é conturbada. Há
sérios conflitos entre os que voltaram do exílio e os que permaneceram na terra
de Judá. Um pequeno grupo se impõe com o apoio do governo persa, arrogando-se o
direito de tomar posse da terra. Uma elite sacerdotal reconstrói o templo e
organiza o sistema de pureza. O povo é oprimido e cada vez mais empobrecido sob
a obrigatoriedade de pagamento de impostos tanto para os persas como para o
templo.
O
grupo profético toma posição a favor dos pobres. Sente-se vocacionado por Deus
e ungido pelo Espírito Santo para fortalecer o ânimo e a esperança das pessoas
vítimas do poder político e religioso. Pelas categorias citadas, descobrimos a
condição social dessa gente: são pobres, possuem coração ferido, são pessoas
oprimidas e são presas. A elas Deus envia o profeta com a missão específica de
anunciar a boa notícia, curar, proclamar a liberdade e libertar. É Deus
intervindo na história humana para resgatar a vida onde ela está sendo
ameaçada.
A
utopia que move esse movimento profético é a de uma sociedade justa e fraterna,
como foi no tempo do tribalismo israelita. É o que se constata pela referência
à promulgação do “ano da graça do Senhor”: diz respeito à celebração do ano
jubilar, com a tomada de medidas para a repartição da terra às tribos, o perdão
de todas as dívidas e a libertação dos escravos, a fim de que não houvesse
pessoas excluídas. Essa utopia serviu de matriz inspiradora para a ação do
grupo profético do Terceiro Isaías, comprometido com a organização de uma
sociedade justa. Sua concepção de Deus contrapõe-se à dos sacerdotes do templo.
É outra teologia, que emerge do lugar social das pessoas injustiçadas. Jesus se
alimentou dessa teologia comprometida com a vida em abundância para todos.
Conforme vai relatar o Evangelho de Lucas (4,18-19), será exatamente esse texto
de Isaías (61,1-2a) que Jesus vai assumir como síntese reveladora de sua
missão.
A
segunda parte desta I leitura (61,10-11) consiste num hino de louvor e alegria
pela certeza do agir libertador de Deus junto a seu povo. Vislumbra-se a
realização da utopia de um novo mundo, porque Deus assim o quer. “Eis que vou
criar um novo céu e uma nova terra” (Is 65,17). O povo, ungido pelo Espírito de
Deus, sente-se renovado: vestido com vestes de salvação, coberto com o manto da
justiça, preparado para a celebração de um novo casamento. Deus, sempre fiel à
aliança, “faz germinar a justiça e o louvor em todas as nações”. A vinda de
Jesus é a realização desse sonho...
Salmo:
Lc
1,46-48.49-50.53-54 (R. Is 61,10b) A minh'alma se alegra no meu Deus.
A minha alma engrandece ao Senhor, e se
alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, pois, ele viu a pequenez de sua
serva, desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
O Poderoso fez por mim maravilhas. E
Santo é o seu nome! seu amor, de geração em geração, chega a todos que o
respeitam.
De bens saciou os famintos, e despediu,
sem nada, os ricos. acolheu Israel, seu servidor, fiel ao seu amor.
Segunda
Leitura: Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 5,16-24
Irmãos: Estai sempre alegres! Rezai sem cessar. Dai graças
em todas as circunstâncias, porque essa é a vosso respeito a vontade de Deus em
Jesus Cristo. Não apagueis o espírito! Não desprezeis as profecias, mas
examinai tudo e guardai o que for bom. Afastai-vos de toda espécie de maldade! Que
o próprio Deus da paz vos santifique totalmente, e que tudo aquilo que sois -
espírito, alma, corpo - seja conservado sem mancha alguma para a vinda de nosso
Senhor Jesus Cristo! Aquele que vos chamou é fiel; ele mesmo realizará isso. -
Palavra do Senhor.
Comentário (Celso Loraschi,
Vida Pastoral nº 281, Paulus): Em sua primeira carta aos Tessalonicenses (que também é o primeiro
escrito canônico do Segundo Testamento), Paulo demonstra preocupação especial
com o comportamento da comunidade cristã, que vive a expectativa da vinda de
Cristo. Ele usa a palavra “parúsia” (“vinda”), que, na cultura greco-romana,
designa a chegada solene de uma pessoa ilustre. Nesse caso, refere--se à volta
triunfal de Jesus.
Paulo
exorta os cristãos a viver preparados para a parúsia, que se dará de forma
repentina. Em que consiste essa preparação? Pode ser resumida neste apelo:
“Vede que ninguém retribua o mal com o mal; procurai sempre o bem uns dos
outros e de todos” (5,15). Tendo por fundamento o amor fraterno, a comunidade
não precisa temer. Pelo contrário, pode alegrar-se sempre. Na certeza do
encontro com o Senhor, deve orar incessantemente, dando graças a Deus.
A
alegria do cristão é contínua e funda-se na fé no Senhor Jesus. Ela não depende
de circunstâncias externas; mesmo num mundo hostil, permanece viva. A alegria
constante está intimamente ligada ao hábito da oração, num espírito de ação de
graças a Deus, fonte de todo bem. É de sua vontade que estejamos conscientes
disso e levemos uma vida de gratidão. Ele nos dá o Espírito Santo com seus
dons; ele suscita profecias, isto é, maneiras diversas de instruir para
edificar e para discernir o que é bom. Paulo continua com tom imperativo:
“Guardai-vos de toda espécie de mal”.
Percebe-se
que o apóstolo oferece suas instruções num tom de seriedade e vigilância. Ele
nos exorta a ser íntegros e irrepreensíveis, vivendo conforme a vontade do
“Deus da paz”, que nos concede a santidade perfeita e nos sustenta nesta
caminhada ao encontro do Senhor que vem. Essa paz divina é muito mais do que a
ausência de conflitos, não consiste em mera tranquilidade: ela está ligada à
reconciliação definitiva com Deus e com as bênçãos messiânicas.
Evangelho
de Jesus Cristo segundo João 1,6-8.19-28
Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era
João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos
chegassem à fé por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho
da luz.
Este foi o testemunho de João, quando os judeus
enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: "Quem és
tu?"
João confessou e não negou. Confessou: "Eu não
sou o Messias". Eles perguntaram: "Quem és, então? És tu Elias?"
João respondeu: "Não sou". Eles perguntaram: "És o Profeta?"
Ele respondeu: "Não". Perguntaram então: "Quem és, afinal? Temos
que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti
mesmo?"
João declarou: "Eu sou a voz que grita no
deserto: 'Aplainai o caminho do Senhor'" - conforme disse o profeta
Isaias. Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus e perguntaram:
"Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?"
João respondeu: "Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que
vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia
de suas sandálias". Isso aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João
estava batizando. - Palavra da Salvação.
Comentário (Celso Loraschi,
Vida Pastoral nº 281, Paulus): O prólogo do Evangelho de João apresenta Jesus como a Palavra que
existe desde sempre, pois ele é Deus. Por meio dela, tudo foi feito. “Nela
estava a vida, e a vida era a luz dos seres humanos. Essa luz brilha nas
trevas, e as trevas não conseguiram apagá-la... E a Palavra se fez carne e
habitou entre nós” (1,4-5.14). Quem poderia acreditar nessas afirmações?
Um
homem, enviado por Deus, vem para testemunhar essa verdade. Seu nome é João,
que significa “Deus é favorável”. O seu testemunho é verdadeiro, pois não é
dado por algum interesse pessoal, mas pelo cumprimento de uma missão divina. Em
sua humildade, ele nega ser Elias ou algum dos profetas. No entanto, ele “foi
enviado”, assim como os profetas eram enviados por Deus para proclamar a sua
vontade ao povo. Alguns deles anunciaram a vinda do Messias. João Batista
completa a profecia do Primeiro Testamento, bem próximo à vinda do Messias,
preparando-lhe o seu caminho.
O
testemunho fala alto. A pregação que sai da boca de quem vive o que fala
penetra fundo no coração dos ouvintes. O testemunho de João Batista era tão
forte, que muitos achavam que ele fosse a verdadeira luz. Possuía uma
autoridade especial, sem a delegação do sistema religioso centrado no Templo.
Isso provocou ciúme nas autoridades religiosas e também preocupação, por causa
do seu poder de atrair multidões. Por isso, os judeus de Jerusalém enviam uma
comissão de sacerdotes e levitas para investigar quem era João Batista. Ele
esclarece: “Eu não sou o Cristo”. Ao negar também ser Elias ou qualquer outro
profeta, está renunciando a entrar na forma institucional para permanecer livre
e fiel à missão de precursor do verdadeiro Messias, que vem de forma
transgressora e contrária à expectativa oficial.
A
postura firme e coerente de João Batista, que culminou com o seu martírio,
tornou-se para as primeiras comunidades cristãs um sinal de luz muito forte. Ao
redor dele formou-se um movimento de seguidores. Foi necessário dirimir as
dúvidas a respeito da sua identidade e da sua missão. João Batista “não era a
luz, mas veio para dar testemunho da luz”. Ele não é um obstáculo ou uma
sombra, mas um reflexo da grande luz. Seu ministério possui imensurável
importância, que é proporcionar a acolhida do dom da fé no Messias verdadeiro.
O
evangelho fundamenta a missão de João Batista no texto do Segundo Isaías
(40,3): ele é “a voz que clama no deserto: endireitai o caminho do Senhor”. Os
que entortaram o caminho do Senhor foram as autoridades judaicas, ali
representadas pela delegação de sacerdotes e levitas. Elas vão se opor
radicalmente a Jesus, tentando impedi-lo de exercer o seu ministério. É preciso
ouvir a voz da profecia que clama no deserto. Pelo deserto, apoiado na certeza
da presença de Deus, o povo foi abrindo o caminho para a terra de liberdade e vida.
A presença salvadora de Jesus Cristo abre caminho para um novo mundo: depende
de nossa acolhida e adesão à sua proposta. A voz da profecia – conforme o
testemunho e a pregação de João Batista – incomoda quem não deseja mudanças. É
para a nossa conversão e consequente adesão a Jesus como nosso salvador que
João Batista foi enviado...
INTENÇÕES PARA O MÊS DE DEZEMBRO:
Geral – Paz e Esperança: Para que o nascimento do Redentor
traga paz e esperança a todos os homens de boa vontade.
Missionária – Os pais de família: Para que os pais sejam autênticos
evangelizadores, transmitindo aos filhos o dom precioso da fé.
TEMPO LITÚRGICO:
Tempo do Advento: O Advento é um tempo de preparação com
dupla finalidade: 1 - Recordar a primeira vinda de Jesus trazendo a salvação para
a humanidade, por isso Advento é tempo de alegria. 2 - Anunciar a segunda vinda
gloriosa de Jesus, por isso, Advento é também tempo de expectativa, é tempo de
redobrarmos a oração, de exercitarmos a nossa fé para não nos desviarmos do
caminho de Deus.
Advento é tempo de
conversão, devemos nos fazer pequenos e pobres, para podermos reconhecer Jesus
como único Senhor e devemos nos esvaziar de tudo que nos afasta de Deus para
poder nos encher com sua misericórdia.
O Tempo do Advento
começa nas primeiras Vésperas do domingo que sucede ao dia 30 de novembro - ou
o mais próximo desta data - e termina antes das primeiras Vésperas do Natal.
Devido a variação na data de início do Tempo do Advento a duração do mesmo pode
ser de 3 ou 4 semanas. O período de 17 a 24 de dezembro estabelece uma maior
preparação para o Natal.
Cor Litúrgica: ROXO - Simboliza a preparação, penitência
ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.
Fonte: CNBB / Missal Cotidiano
CATÓLICOS
COM JESUS: GRAÇA E PAZ
Se desejar receber nossas atualizações
de uma forma rápida e segura, por favor,
faça sua assinatura, é grátis.
Acesse nossa pagina: www.catolicoscomjesus.com e cadastre seu e-mail para recebimento
automático, obrigado.
Fique com Deus e
sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Crendo e ensinando o que crê e ensina a
Santa Igreja Católica

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Sua opinião é muito importante para nós.