Antífona:
Isaías
11,1; 40,5; Lucas 3,6 - Um ramo brotará da raiz de Jessé; a glória do Senhor
encherá a terra inteira, e toda criatura verá a salvação de Deus.
Oração do Dia: Senhor Deus, ao
anúncio do anjo, a virgem imaculada acolheu o Verbo inefável e, como habitação
da divindade, foi inundada pela luz do Espírito Santo. Concedei que, a seu
exemplo, abracemos humildemente a vossa vontade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo,
Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
LEITURAS:
Primeira
Leitura: Livro do Profeta Isaías7,10-14
Naqueles dias, o Senhor falou com Acaz, dizendo: “Pede ao
Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra,
quer venha das alturas do céu”. Mas Acaz respondeu: “Não pedirei nem tentarei o
Senhor”.
Disse o profeta: “Ouvi então, vós, casa de Davi; será que
achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? Pois
bem, o próprio Senhor vos dará um sinal: Eis que uma virgem conceberá e dará à
luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel”. - Palavra do Senhor.
Comentário (Vida Pastoral nº
257/Paulus): O oráculo do Emanuel situa-se em torno do ano 734 a.C.
Acaz é rei de Judá. O povo, sobretudo a população de Jerusalém, passa por
graves dificuldades. A cidade havia sido cercada por Facéia, rei de Israel, e
Rason, rei de Aram, naquela que se costumou chamar de “guerra siro-efraimita”.
A coligação entre o rei de Israel e o de Aram tinha como objetivo tomar a
cidade de Jerusalém, depor Acaz e estabelecer aí, como rei, o filho de Tabeel
(cf. Is 7,6). Desse modo, terminaria a dinastia davídica, truncando a promessa
que Deus fizera a Davi de conservar-lhe sempre um descendente no trono de Judá
(cf. 2Sm 7,12-16). Não se trata, portanto, de simples disputa pelo poder. Lido
com os olhos da fé, o episódio levanta esta questão: até quando Deus continuará
sendo aliado do povo que escolheu?
O povo vive um clima de
perplexidade, sem que o rei se importe com isso. Diante do perigo externo,
recorre a alianças perigosas com a Assíria (cf. 2Rs 16,7), gesto que Isaías
condena, pois a esperança do povo está em Javé. Além disso, ele se comporta como
idólatra, queimando seu filho único (o herdeiro ao trono) aos ídolos (cf. 2Rs
16,3).
É por isso que ele não pede
nenhum sinal a Deus, com a desculpa de não querer tentar o Senhor (Is 7,12).
Sua aparente religiosidade esconde a idolatria, e é exatamente isso que o
profeta reprova. O sinal tem por objetivo confirmar a proteção de Deus sobre o
rei e o povo, mostrando que ele permanece fiel às suas promessas. Contudo, a
fidelidade divina arrisca se tornar estéril por causa do descaso do líder.
Apesar de o rei não pedir um
sinal “desde as profundidades do reino dos mortos até as alturas lá em cima”
(v. 11), Deus se adianta e, por meio de Isaías, dá um sinal de que sua
fidelidade perdura para sempre: “A jovem concebeu e dará à luz um filho e lhe
dará o nome de Emanuel” (v. 14). O sinal é uma criança, provavelmente Ezequias,
o filho de Acaz. Ele não vai garantir a salvação para Acaz, mas devolverá
esperança ao povo. Porém, o sinal não possui espaço e tempo determinados; ele
se projeta no horizonte da esperança, rompendo as barreiras do tempo. Foi assim
que o povo, depois de Isaías, entendeu o oráculo, sonhando com a vinda do
Messias. E os primeiros cristãos, à luz das promessas de Deus, descobriram que
em Jesus a esperança do povo se realizou e a fidelidade divina atingiu sua
expressão máxima.
Mateus cita esse texto a partir
da versão grega chamada Septuaginta. Ela – não sabemos o motivo – em vez de
“jovem”, como está no hebraico (almá), traz “virgem” (parténos).
Salmo:
23 (24),
1-2. 3-4ab. 5-6 (R. 7c.10b) O Senhor vai entrar, é o Rei glorioso!
Ao Senhor pertence a terra e o que ela
encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme
sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável.
“Quem subirá até o monte do Senhor, quem
ficará em sua santa habitação? Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não
dirige sua mente para o crime.
Sobre este desce a bênção do Senhor e a
recompensa de seu Deus e Salvador”. “É assim a geração dos que o procuram, e do
Deus de Israel buscam a face.”
Evangelho
de Jesus Cristo segundo Lucas 1,26-38
No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a
uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a
um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era
Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o
Senhor está contigo!” Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a
pensar qual seria o significado da saudação.
O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria,
porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um
filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do
Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para
sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”. Maria
perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?”
O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o
poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer
será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um
filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril,
porque para Deus nada é impossível”. Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do
Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se. - Palavra da Salvação.
Comentário (CNBB - Padre Jaldemir Vitório/Jesuíta): Maria recebe do anjo a noticia
de que seria a mãe do Messias. Como poderia acontecer isso se ela não conhece
homem? Fazendo uma relação com o Evangelho de ontem, percebemos que mulheres
estéreis geraram filhos por obra divina, e filhos que atuaram decisivamente na
história da salvação. Maria não podia ter filhos, mas isso era fruto de sua
vontade, de sua consagração virginal. E nesta "esterilidade", Deus
age. E sem a atuação de um homem, mas do próprio Espírito Santo, Maria gera no
seu ventre virginal aquele que é o Senhor da história e que vai mudar
radicalmente a vida das pessoas.
A
saudação do anjo Gabriel surpreendeu Maria. Quem era ela senão uma humilde
habitante de Nazaré, cidade sem importância das montanhas da Galileia? Mulher
sem maiores pretensões do que a de ser fiel a Deus; uma virgem já prometida em
casamento a José, mas sem viver conjugalmente com ele, conforme as tradições de
seu povo? Afinal, que méritos tinha para ser uma “agraciada”, “plena da graça”
divina?
Maria
estava longe de compreender o projeto de Deus a seu respeito. Sua humildade de
mulher simples do interior não lhe permitia pensar grandes coisas a respeito de
si mesma. Quiçá tenha sido este o motivo por que fora escolhida por Deus para
ser mãe do Messias. Livre de toda forma de orgulho e autossuficiência, Maria
podia abrir seu coração para receber a graça de Deus que haveria de torná-la
templo do Espírito Santo. Ela tornou-se objeto da atenção divina, no seu anseio
de salvar a humanidade. Deus queria contar com alguma pessoa disposta a se
tornar “escrava do Senhor”, e permitir que a vontade divina acontecesse em sua
vida, sem objeções. Foi para Maria que se voltaram os olhares de Deus!
Tudo
quanto o anjo comunicara a Maria era grande demais para o seu entendimento, e
superava sua capacidade de pô-lo em prática. Abriu-se para ela uma perspectiva
nova, ao lhe ser prometida a assistência do Espírito Santo. Este seria a força
que lhe permitiria levar a bom termo a missão divina que lhe fora comunicada
pelo anjo.
PRECES DA ASSEMBLEIA
(Paulus):
Por
intermédio de Maria, ouvi-nos, Senhor.
1.
Concedei, Senhor, que caminhemos sempre à luz de
vossa presença.
2.
Livrai nossa vida de todo pecado e conduzi-nos à
salvação.
3.
Tornai-nos cada vez mais templos vivos do Espírito
Santo.
4.
Dai a todas as mães a saúde do corpo e do espírito.
5.
Fazei que as crianças cresçam em sabedoria, idade e
amor por vós.
INTENÇÕES PARA O
MÊS DE DEZEMBRO:
Geral – Paz e Esperança: Para que o nascimento do Redentor
traga paz e esperança a todos os homens de boa vontade.
Missionária – Os pais de família: Para que os pais sejam autênticos
evangelizadores, transmitindo aos filhos o dom precioso da fé.
Fonte: CNBB / Missal Cotidiano
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