2ª Semana do Advento - 2ª Semana do Saltério
LEITURAS:
Primeira
Leitura: Livro do Profeta Isaías 40,1-5.9-11
“Consolai o meu povo, consolai-o! - diz o vosso Deus -.
Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a
expiação de suas culpas foi cumprida; ela recebeu das mãos do Senhor o dobro
por todos os seus pecados”.
Grita uma voz: “Preparai no deserto o caminho do Senhor,
aplainai na solidão a estrada de nosso Deus. Nivelem-se todos os vales,
rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se
as asperezas: a glória do Senhor então se manifestará, e todos os homens verão
juntamente o que a boca do Senhor falou.
Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa-nova a Sião;
levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa-nova a Jerusalém, ergue a
voz, não temas; dize às cidades de Judá: ‘Eis o vosso Deus, eis que o Senhor
Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à
sua frente a vitória. Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a
força dos braços, os cordeiros e carrega--os ao colo; ele mesmo tange as
ovelhas-mães’. - Palavra do Senhor.
Comentário (Celso Loraschi,
Vida Pastoral nº 281, Paulus): Esse texto corresponde ao início da profecia de Isaías Segundo (Is
40-55). É um movimento de animação da esperança, suscitado por Deus, no meio do
povo exilado na Babilônia, ao redor do ano 550 a.C. Com entusiasmo poético, o
profeta anuncia novo êxodo: o povo de Israel será libertado e reintroduzido à
terra que Deus concedera aos antepassados.
Assim como o clamor do povo escravizado no Egito chegou aos ouvidos do
Senhor, também o sofrimento do povo exilado é conhecido por Deus. O profeta
avalia-o como um sofrimento expiatório. Deus acolhe e apaga toda a culpa. Na
sua bondade, perdoa-lhes todos os pecados e os livra de todo mal.
Assim
como no primeiro êxodo Deus havia libertado os escravos das mãos dos opressores
egípcios e os conduzido à terra prometida, também agora ele os livrará da
opressão da Babilônia e os conduzirá à sua pátria. Assim como no primeiro êxodo
o deserto constituiu caminho de libertação para o povo, sendo guiado pelo
próprio Deus, também agora serão conduzidos pela mesma mão divina. Toda
barreira será vencida e toda dificuldade transposta. No horizonte: um tempo de
bênçãos.
O
Senhor vem ao encontro do seu povo como o pastor em busca de suas ovelhas. Ele
as reúne, tomando no colo as que necessitam ser carregadas. Deus é o resgatador
da vida ameaçada e o cuidador das pessoas enfraquecidas e indefesas. Nisto
consiste a sua glória: a vida do povo.
Teologicamente,
esse segundo êxodo aponta para um horizonte ilimitado, a libertação em
plenitude. Ela acontecerá com a vinda de Jesus Cristo, o Emanuel – “Deus
conosco”. Como em terceiro e definitivo êxodo, ele nos põe em marcha, na
certeza não apenas das libertações históricas, mas da salvação eterna. O
Advento é tempo de vencer as resistências e pôr-se em caminhada, celebrando a
presença salvadora de Deus.
Salmo:
84,9ab-10.11-12.13-14
(R.8) Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!
Quero ouvir o que o Senhor irá falar: é
a paz que ele vai anunciar; a paz para o seu povo e seus amigos, para os que
voltam ao Senhor seu coração. Está perto a salvação dos que o temem, e a glória
habitará em nossa terra.
A verdade e o amor se encontrarão, a
justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará
dos altos céus.
O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a
nossa terra nos dará suas colheitas; a justiça andará na sua frente e a
salvação há de seguir os passos seus.
Segunda
Leitura: Segunda Carta de São Pedro 3,8-14
Uma coisa vós não podeis desconhecer, caríssimos: para o
Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. O Senhor não tarda a
cumprir sua promessa, como pensam alguns, achando que demora. Ele está usando
de paciência para convosco. Pois não deseja que alguém se perca. Ao contrário,
quer que todos venham a converter-se.
O dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus
acabarão com barulho espantoso; os elementos, devorados pelas chamas, se
dissolverão, e a terra será consumida com tudo o que nela se fez. Se desse modo
tudo se vai desintegrar, qual não deve ser o vosso empenho numa vida santa e
piedosa, enquanto esperais com anseio a vinda do Dia de Deus, quando os céus em
chama se vão derreter, e os elementos, consumidos pelo fogo, se fundirão?
O que nós esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos
céus e uma nova terra, onde habitará a justiça. Caríssimos, vivendo nessa
esperança, esforçai-vos para que ele vos encontre numa vida pura e sem mancha e
em paz. - Palavra do Senhor.
Comentário (Celso Loraschi,
Vida Pastoral nº 281, Paulus): A segunda carta de Pedro pode ser considerada um “testamento”.
Atribuída ao apóstolo Pedro, oferece conselhos às comunidades cristãs
espalhadas pelo império romano no início do segundo século, orientando-as para
viverem na fidelidade à tradição apostólica. Diversas situações estão
desencorajando os cristãos a permanecer na fé que receberam das primeiras
testemunhas da vida e da proposta de Jesus.
Uma
dessas situações diz respeito à fé na segunda vinda de Jesus. A expectativa da
iminência da sua volta já não é tão grande. Um grupo de pregadores trata da
questão com zombaria, dizendo: “Não deu em nada a promessa de sua vinda... Tudo
continua como desde o princípio da criação” (3,4). O texto deste domingo rebate
as ideias desses falsos pregadores. Argumenta que não é uma questão a ser
medida pela lógica humana. Os cálculos humanos não conseguem penetrar os
desígnios divinos. Seus pensamentos e seus caminhos não são os nossos (cf. Is
55,88-9). A atitude a ser tomada é de nos abandonar, com toda a confiança, ao
plano salvador de Deus.
O
texto reafirma a volta de Jesus numa nova dimensão de tempo: “Para o Senhor, um
dia é como mil anos e mil anos como um dia”. O tempo aqui é entendido em seu
sentido cairológico. Esse tempo cronológico, tão fugaz, pode se transformar em
cairológico, propício para acolher a salvação que Deus nos oferece
gratuitamente. O tempo do relógio é a oportunidade que Deus nos dá para
entrarmos na dinâmica do “tempo eterno”. Deus usa de muita bondade e paciência
para conosco “porque não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a
converter-se”. A primeira carta a Timóteo (2,4) completa: “Ele quer que todos
se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. O nosso empenho cotidiano,
portanto, não é fantasiar sobre quando ou como será o fim do mundo e a volta de
Jesus, mas viver na santidade e na justiça, contribuindo para que já neste
mundo seja concretizada a sua proposta de vida em abundância, conforme anunciada
no evangelho.
Evangelho
de Jesus Cristo segundo Marcos 1,1-8
Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.
Está escrito no Livro do profeta Isaías:
“Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para
preparar o teu caminho. Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o
caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’”
Foi assim que João Batista apareceu no deserto,
pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. Toda a região da
Judéia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam seus
pecados e João os batizava no rio Jordão.
João se vestia com uma pele de camelo e comia
gafanhotos e mel do campo. E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais
forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias.
Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo” - Palavra da Salvação.
Comentário (Ricardo Feitosa/Católicos com Jesus):
Marcos apresenta Jesus não
apenas como portador da Boa Noticia de Deus a humanidade, mas sendo Ele a
própria “Boa Noticia”. Desde o primeiro instante o autor sagrado torna visível que
Jesus “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14,6), veio plantar a semente do
Reino, e nós seus seguidores, através de Sua Palavra transformada em “ação”, é que
iremos fazer com que o mundo caminhe segundo a vontade de Deus.
Usando a palavra “inicio” ao começar seu relato, Marcos
está na verdade nos preparando para desde já assumirmos a missão de
continuadores da Boa Nova. Jesus é o Caminho
usado por Deus para apresentar o Seu Reino a todos os povos, “nós” somos
responsáveis para levar a Verdade a
todos às criaturas, para que uma vez convertidos possamos contemplar o Pai na Vida Eterna.
Marcos apresenta João através da
profecia de Isaias: “uma voz clama no
deserto” (Is 40,3). Era de se esperar que o anúncio do Messias devesse ser
dado na cidade, ou no templo que era o centro religioso, político e econômico
da época, mas ao contrario João vem no deserto, ou seja, fora do glamour, a
margem da sociedade, sem necessitar do apoio ou aprovação do poder dominante, trazendo
consigo um alerta: “endireitai as suas
veredas” (Is 40,3), afirmando que o Reino do Messias será um tempo de
igualdade onde não prevalecerão o favoritismo e a injustiça.
João oferecia ao povo um Batismo
de conversão através do arrependimento e confissão pública dos pecados, é bem
verdade que o intuito era preparar os corações para a chegada do Messias e
alertar o povo que o encontro com Deus se dá de maneira simples, diferente dos
rituais e imposições dos sacerdotes já que na época o templo era considerado o
único lugar de encontro com Deus.
Marcos relata que João “vestia-se
de pêlo de camelo e um cinto de couro em volta dos rins”, estando ele no
deserto a anunciar a chegada do Messias, traçava-se assim um paralelo entre
João e Elias. É evidente que o autor sagrado mesmo sem afirmar categoricamente
como fez o próprio Jesus em Mc 9,13 deixa claro ser João Batista o Elias anunciado.
Fonte: CNBB / Missal Cotidiano
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