terça-feira, 28 de outubro de 2014

Evangelho do dia 29/10/2014 Quarta-feira 30ª Semana do Comum

Primeira Leitura: Carta de São Paulo aos Efésios 6,1-9

Filhos, obedecei aos vossos pais, no Senhor, pois isto é que é justo. Honra teu pai e tua mãe – é o primeiro mandamento – que vem acompanhado de uma promessa: A fim de que tenhas felicidade e longa vida sobre a terra. Vós, pais, não revolteis os vossos filhos contra vós, mas, para educá-los, recorrei à disciplina e aos conselhos que vêm do Senhor. 

Escravos, obedecei aos vossos senhores deste mundo com respeito e tremor, de coração sincero, como a Cristo, não para servir aos olhos, como quem busca agradar aos homens, mas como escravos de Cristo, que se apressam em fazer a vontade de Deus. Servi de boa vontade, como se estivésseis servindo ao Senhor, e não aos homens.

Vós o sabeis: o bem que cada um tiver feito, seja ele escravo ou livre, tornará a recebê-lo do Senhor. E vós, senhores, fazei o mesmo com os escravos. Deixai de lado a ameaça; vós sabeis que o Senhor deles e vosso está nos céus e diante dele não há acepção de pessoas. - Palavra do Senhor.

Comentário (deusunico.com): A vida é uma renovação total das relações, onde o respeito é devido a todos: os pais também devem respeitar os filhos. Quanto ao relacionamento entre senhores e escravos, Paulo não faz uma crítica à estrutura social do seu tempo; porém, salientando que todos são iguais perante Deus, ele anuncia uma transformação radical das relações, sejam quais forem os papéis e os deveres sociais.

Paulo não trata o tema com a fácil demagogia do tribuno, mas nem por isso é menos revolucionário. Não rebaixa o panorama num absurdo igualitarismo; respeita os relevos, porém encara tudo no clima de relações claramente bilaterais, próprio de comunidade. As comunicações aqui são feitas em duplo sentido, nunca em sentido único.

A diversidade e subordinação das tarefas não cedem à tentação do verticalismo autoritário. Se Deus não for colocado deveras no primeiro lugar; nossas relações educativas e de trabalho se reduzirão a diálogo de surdos. Faz-se às vezes muito estardalhaço com uma brilhante terminologia, mas por baixo as linhas correm paralelas, ou cai uma sobre a outra. Se nossos olhares não se encontrarem no Senhor de todos, será difícil ter olhos limpos para ver o irmão.

Salmo: 144 (145),10-11. 12-13ab. 13cd-14 (R. 13c)
O Senhor cumpre sempre suas promessas!

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e o vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.

O Senhor é amor fiel em sua palavra, é santidade em toda obra que ele faz. Ele sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 13,22-30

Naquele tempo, Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém. Alguém lhe perguntou: Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam? Jesus respondeu: Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão.

Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta! Ele responderá: Não sei de onde sois. Então começareis a dizer: Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças! Ele, porém, responderá: Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!

Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, junto com todos os profetas no Reino de Deus, e vós, porém, sendo lançados fora. Virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos”. - Palavra da Salvação.

Comentário (Padre Jaldemir Vitório / Jesuíta): As exigências do Reino apresentadas por Jesus levou os discípulos a se perguntarem pelo número dos que seriam salvos. Imaginavam serem poucas as pessoas predispostas e fiéis ao projeto apregoado pelo Mestre. A dinâmica do Reino, como Jesus a entendia, rompia com os esquemas mundanos e só podia ser vivida por quem, de fato, se predispunha a enfrentar a cruz, como caminho necessário para a glória.

A questão levantada pelos discípulos pareceu ser irrelevante para Jesus. Era inútil saber se os salvos seriam poucos ou muitos. Importava, sim, empenhar-se continuamente para, com a graça de Deus, entrar no Reino, através da porta estreita. Portanto, era tempo de refletir e tomar uma decisão sábia, para evitar o risco de ser deixado do lado de fora.


A exclusão do Reino poderá ser uma experiência trágica. O choro e ranger de dentes expressam o desespero de quem desperdiçou a chance que lhe fora oferecida. A segurança fundada em elementos inconsistentes frustrar-se-á quando o cristão comparecer diante do Senhor. Ter comido e bebido na presença de Jesus e tê-lo visto ensinar nas praças não será suficiente para garantir a salvação. Jesus só reconhecerá como discípulo e salvará quem, como ele, tiver sido capaz de colocar-se a serviço do próximo, sem medo de perder tudo por causa do Reino.

LEIA NA ÍNTEGRA:

Liturgia Diária Comentada 29/10/2014 Quarta-feira 30ª Semana do Comum

"Devemos ser filhos da luz e caminhar na caridade" – Papa Francisco

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